Nosso amigo Karlos é um jornalista basco que vive entre o Iraque e o Afeganistão há quatro anos. Ele acabou de mandar pra gente esta entrevista que ele fez com um cara que trabalha no que deve ser considerada a segunda profissão mais perigosa de lá: desativador de minas. Bom, vamos deixar o Karlos assumir daqui em diante...
O governo central curdo estima que existam cerca de
dois milhões de minas na região. Para lidar com essa situação, mantém uma área
de aproximadamente 700 quilômetros quadrados livre e inexplorada. Durante os
últimos 15 anos foram registrados mais de 14 mil acidentes, metade deles fatais
– isso sem mencionar os 18 mil que envolveram animais (o que não é tão
engraçado quando se vive da pecuária). Durante os últimos cinco anos Haji Kuban
tem caminhado com muito cuidado no trabalho. Mas ele ainda não pensa em largar.
Vice: Esse
trabalho é insano. Por que você faz isso?
Haji Kuban: Eu nasci em uma vila a cinco quilômetros de distância daqui. Esta é minha terra. Se eu não limpar, ninguém vai fazer por mim.
E você
não tem medo?
Toda manhã, quando saio de casa, sei
que talvez não volte mais. De qualquer jeito, não é bom não ter medo deste
trabalho. O medo deixa você alerta. A maioria dos acidentes acontece por
excesso de confiança.
Que
habilidades você precisa ter para trabalhar como um desativador de minas e
ainda continuar vivo cinco anos depois?
Algumas habilidades manuais e uma boa
dose de paciência. Muita paciência. É importante ter decorado o protocolo de
desativação de cabo a rabo, não importa o quão absurdo ele possa parecer às
vezes.
De
onde vem as minas que você acha por aí?
Nesta área aqui, a maioria delas é
italiana, mas a gente também acha minas feitas no Iraque, e algumas russas de
vez em quando. Mas no geral, no Curdistão iraquiano elas são francesas, alemãs,
americanas, suecas...
Suecas?
É. Algum tempo atrás um jornalista
sueco veio para fazer a mesma coisa que você está fazendo, e não conseguia
acreditar. Ele disse que era impossível, que o país dele tinha assinado algum
tipo de tratado. Tivemos que mostrar pra ele algumas delas.
Quantas
minas vocês conseguem desativar por dia?
Depende do campo. Nos mais “contaminados”
pode chegar até 100 em um único dia. Tem lugares onde o número de minas é tão
grande que temos que cavar o campo inteiro.
É um
trabalho bem remunerado?
No último mês de abril entramos em
greve porque estávamos ganhando o mesmo que guardas de trânsito: 300 dólares
por mês. Graças a isso, o governo curdo duplicou nosso salário. Agora não tenho
do que reclamar.
Totalmente infeliz esse comentário sobre a wikipédia... esse tópico pode ser desvirtuado, mas ae é um problema específico. Criticar a credibilidade de um sistema inteiro por causa de uma página é exigir demais de um sistema que se propõe a ser aberto e livre.
O que se tem de questionar é a capacidade dos leitores, que param na primeira página que encontram e a encaram como verdade.
De qualquer forma, excelente matéria. Conscisa e intrigante...
Posted by: Marcus Ribeiro | 11/16/2009 at 07:19 PM
EU QUERO ESSE EMPREGO!
Posted by: Colete | 11/18/2009 at 07:25 PM